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Processo disciplinar

Pressionado a pautar processo contra Joana, Cidade diz que colegas querem 'inflamar o cabaré'

Dermilson e Wilker defendem punição da deputada por acusação de compra de votos na eleição interna; outros envolvidos já aceitaram as desculpas da parlamentar

Giovanna Marinho e Luciano Falbo
giovanna@acritica.com / luciano.falbo@acritica.com
04/05/2022 às 09:53.
Atualizado em 04/05/2022 às 10:04

Em junho do ano passado, Joana foi à tribuna e pediu desculpas pelo ocorrido (Danilo Mello/Aleam - 16/jun/2021)

A 10 meses do fim da atual legislatura da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), ainda está longe de encerrar a polêmica em torno do processo disciplinar que poderá resultar na cassação do mandato da deputada Joana Darc (União). Isso porque os deputados Dermilson Chagas (Republicanos) e Wilker Barreto (Cidadania) estão fazendo uma cobrança sistemática para que o processo seja pautado e votado.

O presidente da Casa, Roberto Cidade (União), diz que os parlamentares que fazem pressão para que o caso seja apreciado querem “inflamar o cabaré”. Ele diz que o tema já é “matéria vencida”

Joana, por sua vez, diz que Dermilson e Wilker usam o episódio como “palanque político” e que querem ser “algozes” da primeira mulher a enfrentar um procedimento desta natureza na ALE-AM.

Entenda

Em dezembro de 2020, durante a eleição interna para a Mesa Diretora, Joana afirmou, sem provas, que colegas venderam seus votos no pleito, vencido pela chapa encabeçada por Cidade. Posteriormente ela pediu desculpas, mas deputados da oposição, que votaram em Cidade, decidiram manter o processo contra ela.

A representação contra a deputada foi apresentada por Wilker Barreto e pelo Podemos, que era presidido pelo deputado à época. Wilker aponta que Joana quebrou o decoro ao acusar deputados de venderem seus votos por R$ 200 mil para elegerem Cidade presidente. Ele e Dermilson Chagas (Republicanos) vêm cobrando, de forma sistemática, que o processo seja apreciado.

Durante uma votação tumultuada em março deste ano, a Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJR) da Casa definiu que caberia à Mesa Diretora decidir se puniria ou não a deputada e qual a punição. Como “medida intermediária”, o relator do caso na CCJR, Delegado Péricles, sugeriu que a parlamentar seja afastada do mandato (de um a seis meses).

O que diz Cidade

Agora correligionário de Joana no União Brasil, o presidente Roberto Cidade defende que o processo deve ser votado pela Comissão de Ética antes de ir a Plenário.

“Eu tenho que mandar para a procuradoria para ver qual o rito correto, para ver qual o andamento correto”, ponderou ele em entrevista à coluna nesta terça-feira (3).

“Eu sou a pessoa que quero resolver esse problema, porque eu não tenho nada a temer”, disse Cidade ao Sim&Não.

“A deputada Joana Darc foi à tribuna, trouxe o filho dela aqui, pediu desculpa de todo o Estado do Amazonas, pediu desculpa à Assembleia, pediu desculpas a minha pessoa e vi que, naquele momento (que ela fez a acusação da compra de votos), ela estava grávida, não estava bem”, recordou.

 “E eu tenho que tem a tranquilidade de pensar no Poder Legislativo e ver o que é melhor para os andamentos da Casa, da minha parte, que não devo nada”, declarou.

“Aí, vem deputado na tribuna para poder inflamar o cabaré, para poder ter debate, confusão, isso ai é a tal da política perde e perde. Eu faço a política do ganha, para servir ao povo do meu Estado. Punição de um a seis meses? Esse tema já é matéria vencida aqui na Casa da Assembleia. Nós ganhamos a eleição. Deputado que vai pra tribuna para falar isso é porque quer inflamar a Casa ou está chateado com outra coisa que ele não quer falar, se pronunciar ali”, disparou.

'Machistas e perseguidores'

Ao Sim&Não, Joana Darc lembrou que já se desculpou com os colegas – a maioria deles aceitou e achou razoável o pedido de desculpas.

“Já me manifestei várias vezes e eu acho que eu não devo ser crucificada por conta do ocorrido. Eu estava na fase final da minha gestação, comprovadamente com todos os meus hormônios alterados, tenho um filho com deficiência que foi diagnosticado ainda na barriga e tudo isso eu tenho comprovado. Naquele momento, houve o acaloramento das discussões e eu me excedi. Eu pedi desculpas várias vezes e isso foi resolvido”.

A deputada lançou críticas aos colegas que querem sua cassação.

“Somente quem toca nesse assunto para fazer palanque político é o Dermilson Chagas, que no Plenário, enquanto eu estava na tribuna jogou beijinho para mim e nem por isso sofreu sequer uma sanção. Enquanto o deputado Wilker, que também toca nesse assunto, quando era presidente da Câmara Municipal cortou meu microfone minimizando o meu trabalho, pediu meias desculpas e agora sobe na tribuna pedindo que eu peça várias vezes desculpas. Quem é ele? Quem é Wilker Barreto, que chamou eu e a deputada Alessandra Campêlo (PSC) de ‘Maria do Bairro’ no sentido pejorativo? Ele vive fazendo fake news, inclusive tem um processo judicial contra ele. Quem é ele para falar da Joana Darc? Quem é Dermilson Chagas, que joga beijinho pra deputada para falar sobre isso?”.

Joana disse que vai “arcar com as consequências” do erro que cometeu, mas que Dermilson e Wilker têm a intenção de que o pior aconteça para ela. Ela reforçou que houve episódios em que os dois foram “comprovadamente machistas e perseguidores” dela e do seu mandato.

A deputada é a entrevistada do podcast do Sim&Não desta semana, que será transmitido ao vivo nesta quarta-feira (4), a partir das 15h, e que ficará disponível posteriormente nas plataformas de áudio.

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